UVEÍTES
A uveíte é a inflamação que ocorre dentro do olho, afetando uma estrutura vascular chamada úvea, que inclui a íris (a parte colorida do olho), o corpo ciliar (que produz o líquido do olho) e a coroide (camada de vasos sanguíneos que nutrem parte da retina). Quando esse tecido inflama, pode causar dor, olho vermelho, sensibilidade à luz (fotofobia), moscas volantes (pontos pretos ou brilhantes na visão) ou visão embaçada. Se não for tratada corretamente, a uveíte pode levar a complicações graves, como catarata, glaucoma, inchaço da retina ou até mesmo perda permanente da visão.
Quão comum é a uveíte?
A uveíte pode ocorrer em qualquer pessoa (incluindo recém nascidos e crianças), mas afeta com mais frequência adultos jovens e de meia-idade, entre 20 e 50 anos. É ligeiramente mais comum em mulheres do que em homens, embora certas formas afetem mais o público masculino. Não se trata de uma doença tão rara — estima-se que atinja entre 38 e 714 a cada 100.000 pessoas no mundo todo, sendo responsável por uma parcela significativa dos problemas de visão globais, sobretudo em regiões com acesso limitado a cuidados oculares.
A uveíte possui diversas classificações, mas uma das principais leva em consideração qual área do olho está mais afetada: a uveíte anterior acomete a parte mais da frente do olho (íris e corpo ciliar), sendo o tipo mais comum e costuma causar dor ocular, olho vermelho e fotofobia; a uveíte intermediária afeta o gel que preenche o olho e se apresenta mais com moscas volantes e visão turva; a uveíte posterior atinge o fundo do olho (coroide e retina), podendo causar visão embaçada ou distorcida. Quando todas as estruturas estão acometidas de forma uniforme, chamamos de pan-uveíte ou uveíte difusa.
Vale notar que a uveíte muitas vezes se acompanha de inflamação de outras estruturas fora do olho em si, como córnea, esclera e pálpebras.



O que causa a uveíte?
A uveíte não tem uma causa única — trata-se de uma resposta inflamatória à algum agente externo ou mesmo de desregulação do sistema imunológico. No mundo todo, até 60% dos casos podem ter uma causa definida, mesmo após uma avaliação detalhada (uveíte idiopática).
Quando uma causa é detectada, ela geralmente se enquadra em uma das seguintes categorias: doenças autoimunes ou autoinflamatórias, em que o próprio sistema imunológico do paciente ataca os tecidos intraoculares (como sarcoidose, doença de Behçet, espondilite anquilosante); infecções, como vírus do herpes, tuberculose, sífilis, HIV ou toxoplasmose (esta tendo uma alta prevalência em nosso país); doenças que mimetizam inflamações, como certos tumores (raro); traumas ou pós-cirurgias oculares e reações a determinados medicamentos (raro).
Como a uveíte é tratada?
Os objetivos do tratamento são controlar a inflamação, proteger a visão e evitar recidivas, minimizando ao mesmo tempo os efeitos colaterais do uso prolongado de corticoides. Na uveíte anterior, são utilizados colírios, por sua maior penetração da área da frente do globo ocular. São usados colírios de corticóide (anti-inflamatório) e midriáticos (causam a dilatação da pupila, impedindo que ela cicatrize na lente natural do olho). Os outros tipos de uveíte podem exigir tratamento local (como injeção de cortiócoide ao redor ou dentro do olho) ou sistêmico (via oral ou pela veia). Se a causa for infecciosa, o tratamento é específico ao agente causador (antibióticos, antivirais). Casos graves, recorrentes ou dependentes de corticoide a longo prazo, tem indicação de uso imunossupressores poupadores de corticoide, como metotrexato, azatioprina ou biológicos (como adalimumab), controlando a inflamação sem os colaterais do corticoide. Condições sistêmicas (como doença reumatológica ou infecciosa), o acompanhamento deve ser em conjunto com outras especialidades médicas, como reumatologista e infectologista.
Assim, a uveíte é uma doença complexa, com diversas causas possíveis e seu manejo pode envolver vários tratamentos e avaliações. Mesmo com a correta investigação (seja com exames oculares, de sangue ou de imagem), parte dos pacientes podem não descobrir a causa da doença. Entretanto isso não significa que nenhum tratamento possa ser feito. O mais importante é o paciente: ficar atento a sintomas iniciais e de recorrência e manter o seguimento oftalmológico, para se evitar complicações e sequelas visuais.

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